31 de maio de 2010

A Entrega

Quando outros calculam o rácio da decência
Eu entrego-me sem recato ao ardor
Ao corpo mais que ao espírito brio
Não, não é paixão nem tão pouco amor.
É a mais míngua indigência de calor
A exaltação da fé pela força, pelo delírio.
Ofereço o meu cadáver à chama do prazer
Deleito-me nesse júbilo e vejo-a arder.
Desenlaço os enigmas da realidade mais lúgubre
Naquele momento sou o mais alto engenho de gáudio
Sinto cada pedaço do meu corpo em glorificação
Sublimação que se crava na pele e trespassa
Perco-me no fervor da excitação.
Não sinto o pudor, não temo pela minha moral
Apenas me move o impulso sexual
Não me interessa a pessoa em questão
Já sei que a dor e o arrependimento não virão

*António Sengo.

2 comentários:

Salvador d'Almeida disse...

Entregue

Josie disse...

luxúria poética.

tu 'ardes' de maneira linda.

adorei.