Foi quando avistei a penumbra que perfilhava os contornos dos meus medos que me apercebi. Perdi. O tempo que levou ao meu presente estado de sitio é o mesmo que o consome e o perde. A penumbra prolonga-se branca. Avanço. Mas mordo os lábios, o sabor do seu batom ainda perdurava. Eram frutos silvestres. Tabaco. Vinho. Fruto agreste.
Desfaço milhas e concerto calendários. O nevoeiro está menos denso, mas os meus olhos estão cansados. Deixo-me invadir pelas últimas névoas de fumo e consumir pelo tempo. Perdi. Perdi os meus medos. E perdi-te a ti.
*António Sengo.
1 comentários:
Este texto faz-me lembrar mesmo um dos blogues de que mais gosto, embora mantenha um tom muito pessoal... Acho que também tens imenso jeito para este tipo de narrativa...
Qualquer diz visita o "Tons de vermelho", vais gostar...
Stay Well
Postar um comentário