3 de dezembro de 2009

Confiança

Não consigo esquecer-me que minto
Não aguento olhar para trás e recordar o que vi
Não suporto mais pensar em ti

Ontem na rua vi passar um homem sem medos
E vi passar uma alma sem valores
Ontem na calçada suja vi sobras de segredos
No mesmo chão onde uma mulher vendia as suas dores
Esmolas conspurcadas por qualquer religião
Uma cidade que se perdeu na escuridão
Um Homem que vive numa ilusão

E eu voltei outra vez para pedir perdão
Porque tudo o que entra tem que sair
E os que estão terão que partir
Começando por mim

Conheço agora o sabor do meu veneno
Sereno
Foi assim que deixei o mundo terreno


*António Sengo.

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