O que me prende aqui é um fio feito de mim, enleado, por vezes forte e outras vezes fraco. Umas vezes certo, outras errado. É esse mesmo fio aquele que se atravessa no meu caminho com o intuito de me fazer cair, é com a vida que lhe dei que agora me está a trair. Age sozinho corrupto e assassino, movimentando os meus medos, repartindo a minha memória. Sinto-me a puxar este fio desesperado para encontrar o inicio da história, embora esteja cada vez mais perdido, envelhecido... Enrolado, sem mais fio para puxar, sem ajudas, quero aprender a voar em asas mudas. Surdas do tempo, este que me leva os anos e me traz recordações em pedaços de mim destruídos. Sombras cegas dos meus fios já esquecidos!
*António Sengo.
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